Práticas psicomotoras como estratégia para a inclusão: uma perspectiva baseada na teoria bioecológica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21439/conexoes.v20.4201

Palavras-chave:

Escola Inclusiva., Desenvolvimento Neuropsicomotor, Teoria Bioecológica de Bronfenbrenner., Psicomotricidade Relacional, Educação Infantil

Resumo

Este estudo apresenta a contribuição da Psicomotricidade Relacional para a implementação da educação inclusiva na Educação Infantil, articulada à Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano. Sua relevância reside na necessidade de práticas pedagógicas que contemplem a diversidade e promovam o desenvolvimento integral de crianças público-alvo da educação especial. Parte-se da hipótese de que a PR associada à formação docente e ao uso de instrumentos de avaliação, favorece a socialização, autonomia e aprendizagem. O objetivo central foi compreender como essa abordagem pode ser aplicada na escola regular para potencializar o desenvolvimento infantil. Trata-se de uma abordagem qualitativa, com análise documental e revisão de literatura científica e normativa, abrangendo marcos legais da inclusão no Brasil e autores das áreas: psicomotricidade, neurodesenvolvimento e educação. Os resultados indicam que práticas psicomotoras fundamentadas no brincar simbólico, na mediação afetiva e na valorização das experiências corporais promovem avanços no desenvolvimento. A articulação entre os sistemas ecológicos de Bronfenbrenner e a Pirâmide do Desenvolvimento permite compreender como as interações nos microssistemas escolares influenciam o processo de aprendizagem. Conclui-se que a atuação do psicomotricista no contexto escolar contribui para a construção de ambientes acolhedores e equitativos, favorecendo o desenvolvimento pleno e a inclusão de todas as crianças.

Biografia do Autor

Caroline Moreira de Oliveira, Universidade Federal Fluminense

Doutoranda em Ciências, Tecnologias e Inclusão (PGCTIn), Mestre em Psicologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Especialista em Psicomotricidade Relacional pelo Centro Internacional de Análise Relacional (CIAR). Pós-graduada em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Graduada em Psicologia (PUCPR). Atuação na área de Psicologia Clínica, Psicomotricidade Relacional e Avaliação Neuropsicológica.

Josiane Aguiar Cerqueira Feliciano, Universidade Federal Fluminense

Doutoranda do Ppg em Ciências, Tecnologias e Inclusão, da Universidade Federal Fluminense; Mestre em Diversidade e Inclusão pela UFF (2019); graduada em Pedagogia(UFF/2005), com especialização em Psicopedagogia pela UGF (2009), em Gestão Pedagógica e Institucional pela Universidade América do Sul (2013), em Psicomotricidade e Neuropsicopedagogia pela Faculdade São Luis (2020). É Pedagoga e professora da Fundação Municipal de Educação de Niterói, atuando na Gestão de uma Unidade de Educação Infantil. Participa do Grupo de Estudos em TEA (GETEA), coordenado pelas professoras Dra. Viviane Lione e Dra. Aline Guerra, com experiências nos temas desenvolvimento infantil, marcos do desenvolvimento, Altas habilidades ou superdotação, atrasos no desenvolvimento infantil, Atendimento Educacional Especializado. Autora de 2 guias para o acompanhamento dos marcos do desenvolvimento, voltados para professores, responsáveis e cuidadores infantis.

Diana Negrão Cavalcanti, Universidade Federal Fluminense

Professora da Universidade Federal Fluminense.. Atualmente é Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Biologia Marinha e Ambientes Costeiros da UFF (PBMAC - 2023 - 2027). Licenciada em Ciências Biológicas, especialista em Bioquímica, mestre em Química Orgânica e doutorado em Química Orgânica. Pós doutorado em Biologia Marinha (bolsista PRODOC/CAPES - UFF), pesquisador visitante (Fiocruz), bolsista PNPD (UFF) e ex-Professora Adjunto A no Instituto do Mar da UNIFESP, campus Baixada Santista (2013). Desde 2014 é Professora da Universidade Federal Fluminense, atuando na graduação e na Pós-graduação em Biologia Marinha e Ambientes Costeiros, Programa de Pós-graduação em Ciência, Tecnologia e Inclusão (PGCTIn) e Mestrado Profissional em Diversidade e Inclusão (CMPDI), onde foi coordenadora (2018-2022). Tem experiencia na formação de recursos humanos, orientando alunos de graduação e pós-graduação nas áreas de Biologia Marinha, biotecnologia marinha (com ênfase em Química dos Produtos Naturais de algas marinhas, técnicas cromatográficas e espectroscópicas, bioprospecção, dereplicação e biossíntese) e em Ensino (com ênfase em Transtorno do Espectro do Autismo). Tem projetos de pesquisa na área de Biodiversidade e na área do Autismo. Tem projetos de extensão com o tema Algas Marinhas e coordena o Núcleo de Estudos e Pesquisa em Autismo (NEPA). É membro fundador da Associação Caminho Azul, instituição civil sem fins lucrativos que atua nas vertentes da assistência, desenvolvimento científico e clinico do Autismo.

Kamila Castro Grokoski, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Nutricionista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) (2014), com especialização em Nutrição Pediátrica (2015), mestrado (2016) e doutorado (2019) pelo Programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e do Adolescente da UFRGS. Atuou como pesquisadora em instituições nacionais e internacionais, desenvolvendo projetos clínicos e experimentais, com foco no Transtorno do Espectro Autista (TEA). Possui ampla experiência clínica no atendimento nutricional de pacientes com TEA. Pós-doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Alimentos da Universidade Federal de Pelotas (PPGNA/UFPel) e pesquisadora convidada do Grupo de Pesquisa em Neuropediatria do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. 

Viviane de Oliveira Freitas Lione, Universidade Federal do Rio de Janeiro

É professora da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, pesquisadora na área do autismo e mãe do Davi, autista nível 2 de suporte. Atua na área do Ensino, sendo professora do Mestrado profissional em Diversidade e Inclusão e da Pós-graduação (doutorado) em Ciências, Tecnologias e Inclusão da Universidade Federal Fluminense (UFF), onde integra o NEPA - Núcleo de Estudos e Pesquisa em Autismo. Também atua na área da saúde coordenando o Laboratório de bioensaios farmacêuticos, desenvolvendo biomodelos neurais para o estudo do autismo. Possui experiência na formação de recursos humanos nas áreas da Saúde e da Educação Inclusiva. Participa e coordena projetos de pesquisa na área de Biotecnologia, Biociências e em Diversidade e Inclusão, com foco em autismo e outros transtornos do neurodesenvolvimento. Atualmente, coordena o Grupo de Estudos em Transtorno do Espectro do Autismo (GETEA) da UFRJ, atuando no atendimento educacional especializado para estudantes com autismo. Coordena Programa de Atendimento da Associação Caminho Azul, associação sem fins lucrativos que atende famílias de pessoas com autismo em vulnerabilidade social, coordena o Grupo de Mães de Autistas de Maricá, sendo também Conselheira Civil no  Conselho da Pessoa com Deficiência de Maricá (mandato 2023-2025).

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Publicado

11-05-2026

Como Citar

Oliveira, C. M. de, Feliciano, J. A. C., Cavalcanti, D. N., Grokoski, K. C., & Lione, V. de O. F. (2026). Práticas psicomotoras como estratégia para a inclusão: uma perspectiva baseada na teoria bioecológica. Conexões - Ciência E Tecnologia, 20, e026009. https://doi.org/10.21439/conexoes.v20.4201

Edição

Seção

Seção de Ciências Humanas

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