PERCEPÇÃO OCUPACIONAL: A QUALIDADE DO AR INTERNO EM BIBLIOTECA PÚBLICA, CEARÁ, BRASIL

Lydia Dayanne Maia Pantoja, José Capelo Neto, Ronaldo Ferreira do Nascimento, Ana Bárbara de Araújo Nunes

Resumo


A má qualidade do ar interno em bibliotecas vem merecendo atenção, devido à quantidade de substratos favoráveis à ação de biodegradadores sobre os acervos escritos/digitais. Embora não seja causa de morte, seus sintomas podem causar desconforto e baixa da produtividade de seus trabalhadores. Nesse ínterim, objetivou-se realizar uma analise frente ao discernimento dos trabalhadores de uma biblioteca pública de referência no munícipio de Fortaleza, Ceará, sobre a qualidade do ar. Entre janeiro a abril/2013 foram aplicados questionários, abordando perfil do trabalhador, atividade laboral, estado de saúde e qualidade do ar do ambiente de trabalho. Foram analisados 38 funcionários, média etária de 42 anos, média de 12 anos de trabalho, alocados em 9 setores. Constatou-se que 89% classificaram o ar como empoeirado ou com presença de odores, 82% apresentaram sintomas relacionados à Síndrome dos Edifícios Doentes, bem como, 71% nunca se queixaram a administração, 100% nunca ouviram a respeito da SED e 37% faltaram mais de 9 dias devido a problemas de saúde nos últimos meses. Por fim, aspira-se que a presente pesquisa, ao demonstrar a fragilidade do conhecimento dos trabalhadores, leve a maior divulgação em bibliotecas e, como consequência, melhorias no monitoramento e controle ambiental, permitindo avanços dessa temática no Brasil.


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DOI: https://doi.org/10.21439/conexoes.v10i3.854